A tecnologia e todas as relações com o nosso tempo

Postado em jun. de 2022

Psicologia e Saúde Mental

A tecnologia e todas as relações com o nosso tempo

Partindo do tema Tecnologia e psicanálise, o segundo debate do Palco Fronteiras, on-line e gratuito, reuniu os psicanalistas Maria Homem e Christian Dunker em uma conversa transmitida na noite de 20 de junho.


O segundo debate do Palco Fronteiras, on-line e gratuito, promovido pelo Fronteiras do Pensamento para esquentar as reflexões trazidas pela Temporada 2022, aconteceu nesta noite, e reuniu dois dos mais lidos e ouvidos psicanalistas do país: Maria Homem e Christian Dunker, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), com certa de 300 mil seguidores nos seus canais de YouTube, colunistas e escritores. Esta conversa durante o Palco Fronteiras foi mediada pela jornalista Adriana Couto (apresentadora do programa Metrópolis da TV Cultura) e partiu da relação entre Tecnologia e psicanálise, passando sobre a definição do eu, a linguagem digital, a nossa relação com as redes sociais e pela exploração de termos como phygital e hibridismo.

Esta edição do Palco Fronteiras partiu da indagação de como a tecnologia muda a nossa relação com o mundo. Psicanalista clínica, Maria Homem nos lembrou de que o ser humano inventa estratégias para estar, se proteger, se comunicar, fazer mediação e se virar no mundo, e a tecnologia é a técnica atual. E que, por isso, o laço social, o sexo, a política, o imaginário se transformam. “Vamos do mais íntimo ao mais público nesta relação com a tecnologia para dar sentido ao que estamos vivendo.”

Premiado com o Jabuti por suas obras, Christian Dunker, observa que tecnologia promete uma transformação da nossa relação com o tempo, e a distingue de outras técnicas usadas pelos homens para explicar e entender a sua época – como filosofia e ética – só que estes não eram técnicas e, sim, saberes. A técnica, destaca o professor, é uma associação entre meios e fins.

“O campo da técnica também define limites do que vamos pensar como humanidade sobre o que é ser um eu, além de reconstruir o que é ter um eu”. A linguagem digital, técnica da nossa época, opera também sobre técnicas anteriores, destaca Dunker. Elas são reincorporadas e potencializadas a partir dessa nova linguagem. “Hoje estamos com um nível de consciência técnica sobre o eu inédito: ela se aproxima do nosso sexo, dos nossos corpos”.


Mundo hiperconectado

A criação de personagens, cujas “roupas” podemos tirar e colocar ao longo do dia, versões duplicadas do eu, aplicando filtros e cultivando personagens para cada situações, são fatos deste nosso tempo marcado. E o desafio está em “manter a libido”, como observou Maria Homem, diante deste troca-troca, de tanto controle que precisamos ter.

Uma vida permanentemente conectada, inclusive com seu corpo é o que promete a alegoria do metaverso. O que é um convite à nossa hibridização a uma outra consciência planetária, destaca Dunker. Sensações como angústia, medo e raiva fazem parte deste cenário e são resultantes de uma falta de controle do eu incentivada pela atual concepção de sujeito que, diante de tanto para dar conta, se sente muito pequeno. E a constatação dessa relação tão íntima que temos com a tecnologia está provocando fissuras.

"Este é um adoecimento do contemporâneo. Não estamos conseguindo pensar. Estamos com uma patologia da capacidade de pensar, que é um dos nossos maiores prazeres”, resume Maria Homem. 

O Palco Fronteiras antecipou reflexões pros postas pela Temporada 2022. O Primeiro debate do Palco Fronteiras debateu a relação entre Tecnologia e inovação. Relembre o debate aqui.

E garanta o seu ingresso para a Temporada 2022,  que, na volta do presencial, coloca você, frente a frente, com pensadores essenciais para entender o nosso tempo. Acesse o site e veja como participar! 

 

 

 

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